segunda-feira, 21 de maio de 2012

Resenha: Saracotia - Saracotia

Ano de lançamento: 2012

A terra que, outrora, revelou nomes como o 'Quarteto Novo' e 'Quinteto Armorial', aos poucos, retoma a efervescência da música não cantada. Provas? Nomes como 'Treminhão', 'Rivotrill', 'A Banda de Joseph Tourton' e 'Sonoris Fábrica' são exemplos recentes e, todas estas, sem exceção, são provenientes de solo pernambucano. 

Formada, em 2008, por Rodrigo Samico (violão de 7 cordas), Rafael Marques (bandolim de 10 cordas) e Márcio Silva (bateria), a 'Saracotia' é um dos mais recentes projetos musicais a entregar esse nicho que, cada vez mais, conquista espaço em um mercado ainda restrito. Apesar de já incluir em seu currículo feitos significantes - vide a abertura, no ano de 2011, para o violonista gaúcho Yamandu Costa -, a banda lança, oficialmente, nesse mês de maio o seu primeiro álbum homônimo.

O trio de jovens músicos investe em uma fusão peculiar entre o jazz e o chorinho. O lado jazzístico da banda é evidenciado, principalmente, pela bateria de Márcio Silva que, atipicamente, também compõe. "Caminhando" - faixa que abre o debut - exemplifica e sintetiza, com classe, a proposta da "Saracotia". De autoria do baterista, a composição reúne compassos pouco habituais e belas linhas melódicas que, aos poucos, transformam-se em sessões de improviso. Contudo, influências mais regionais ainda surgem em músicas como "Engatinhando" - um 'frevo bem chorado' ou, nas palavras da banda, um frevo "bem Saracotia" - e  em "Celeste".

Não esquecendo de suas influências, a "Saracotia" ainda incluiu incríveis versões para "Spain" (Chick Corea) e a, 'bandolinisticamente falando', virtuosa "O Voo da Mosca" (Jacob do Bandolim). Falei em virtuosismo? Experimente ouvir a quinta faixa ("Quase que Eu não Chego em Casa") e perceba o total entrosamento dos músicos. Claro que a forma como o grupo compõe - sem se prender a fórmulas musicais clássicas - casa-se a música instrumental que é, por natureza mais livre; contudo, a evidência dessa empatia entre os músicos, merece ser comentada. Curiosamente, Rodrigo Samico e Rafael Marques já haviam gravado juntos em um projeto de choro intitulado 'Arabiando'.

Da esquerda pra direita: Rafael Marques, Rodrigo Samico e Márcio Silva
Na finalização do álbum, destacam-se ainda a belíssima "Girassóis" - composição de Rodrigo Samico que diminui as 'batidas por minuto' e mostra um lado cadenciado, melódico - e "Em Cima do Muro" que, juntamente com"Engatinhando", possui uma das melhores finalizações (coda) do álbum.

Gosta do legado de Jacob do Bandolim? Admira nomes como Raphael Rabello ou Dino 7 Cordas? Aprecia o trabalho de mestres como Billy Cobham ('Mahavishnu Orchestra') ou Mitch Mitchell ('The Jimi Hendrix Experience')? Ou simplesmente deseja escutar uma boa música instrumental? Em qualquer um dos casos, experimente ouvir - com atenção - o primeiro trabalho desses caras. Como a banda comentou no show de lançamento: que este seja o primeiro de muitos.

Show de Lançamento
Com entrada franca, o  "Saracotia" comemorou o lançamento de seu primeiro álbum, no dia 20 de maio, executando-o no Teatro Luiz Mendonça (teatro do Parque Dona Lindu), em Recife. A performance do trio marcou tanto pela precisão instrumental quanto pela 'teatralidade' dos membros - 'um molho a mais' para a apresentação - que, entre as músicas, dissertavam sobre as mesmas com naturalidade. Além de executar todas as faixas do álbum homônimo, o grupo ainda surpreendeu os presentes ao incluir uma versão para "Blackbird", do 'The Beatles'.

Formação:

Rafael Marques (bandolim de 10 cordas)
Rodrigo Samico (violão de 7 cordas)
Márcio Silva (bateria)


Tracklist:

01. Caminhando
02. Peixes Estranhos
03. O Voo da Mosca
04. Celeste
05. Quase que Eu Não Chego em Casa
06. Spain
07. Chão Rachado
08. Em Cima do Muro
09. Engatinhando
10. Girassóis


O álbum pode ser ouvido, na íntegra, no SoundCloud da banda:
http://soundcloud.com/saracotia

Informações adicionais:
http://www.myspace.com/saracotia





3 comentários:

  1. Em primeiro lugar, lhe agradeço por me ter apresentado ao som da banda; comprei o cd antes do show (ao qual não fui - espero uma próxima vez não tão distante de minha residência -, mas que divulguei) e gostei bastante. Não há dúvida de que os caras dominam seus instrumentos, estão bastante entrosados e passeiam com desenvoltura por diferentes estilos.

    Em segundo lugar, lhe parabenizo pela divulgação destas grandes bandas pernambucanas as quais conheci por aqui (antes do Saracotia o Treminhão). As outras (atuais) que mencionaste no começo do texto eu desconheço e espero ver algo delas por aqui.

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  2. Com certeza vai rolar, Alberto. Só espero a hora essa certa, como foi o caso com o Saracotia.

    Mas aguarde algo sobre o Quarteto Novo em breve. (:

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