segunda-feira, 5 de maio de 2014

Resenha: Festival Abril Pro Rock 2014 (26/04/14 - Chevrolet Hall, Olinda)

"Mostrar a renovação da música e dar visibilidade a grandes clássicos para a nova geração”.  A premissa do Abril Pro Rock (APR) parece simples – principalmente quando explicada por Paulo André, diretor artístico do festival pernambucano, ainda na coletiva do evento. Manter, contudo, a integridade deste pensamento, ao longo dos anos, exige bom senso. E como exige.

Atingindo a sua 22º edição, o APR concentrou, novamente, suas atividades no Chevrolet Hall, em Olinda, e trouxe cerca de 10 mil pessoas nos seus dois dias – sexta-feira (25) e sábado (26) de abril – de apresentações. Além do local, a produção do evento vem mantendo o equilíbrio entre novas bandas (regionais ou não), grupos clássicos (de porte médio, ao máximo) e levando em conta, também, o ineditismo das atrações.

sábado, 5 de abril de 2014

7h38: A Canção do Nada


7h38 – Empoeirado, o relógio marcara o tempo que não passava para ele. Ele, ali, sentado naquela velha e, também, empoeirada cadeira.  

Não havia motivações, não havia vontade. Raios, não havia nada! Nada que despertasse interesse de levantar-se dali. Nada. Nem mesmo a incessante dor que se apossara do seu estômago e que, como sempre, continuava a ignorar     

domingo, 30 de março de 2014

Resenha: Caetano Veloso - Transa

Ano de Lançamento: 1972

Após dois anos de exílio em Londres, Caetano Veloso via-se imerso na angústia que as saudades do Brasil provocavam. Exilado, no ano de 1969, em companhia do seu amigo, também músico, Gilberto Gil, o cantor sentia saudades do solo brasileiro. Saudades, sobretudo, da sua triste Bahia.


Intitulado Transa, o disco retrata nada mais nada menos que saudosismo – meio carregado de pessimismo, meio de esperança. Apesar do imenso desejo de retornar a sua terra natal, Caetano sentia-se consumido pelo pensamento de que, possivelmente, não poderia regressar ao Brasil tão cedo devido ao momento político que o país vivia: a ditadura militar. Instaurada em 1964 sob o comando dos militares, a ditadura instalava  a repressão contra toda e qualquer ideia que contestasse o seu regime.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Baião do Mundo: A Música do Nordeste

Baião, A Música do Nordeste
O Hangover-Music nascera em meio a minha graduação: lá pelos idos do segundo/terceiro período em jornalismo, sendo específico. É verdade que fora um filho, às vezes, esquecido como bem ilustra o tempo que passei sem postar –, mas ainda assim seu impacto, nesse período, foi de grande proporção. 

Não, não trata-se de um exagero de minha parte; afinal, esse espaço foi – e espero que continue  sendo – realmente importante e complementar a mim.  Muitas vezes, de verdade, o que eu fiz durante o curso uniu-se a algumas empreitadas deste blog. Exemplo? Meu próprio TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

quarta-feira, 19 de março de 2014

hangover-music: voltando às atividades


Regressando da "ressaca-musical"

TCC. Trabalho. TCC, trabalho... TCC, trabalho. Trabalho? Para justificar o hiato do blog, passei a me apoiar nesses fatores. Fatores estes que martelaram em minha cabeça de forma desconexa, repetitiva e desgastante – sim, tal como a construção estranha do início deste parágrafo.

Mas teriam sido eles, de fato, os responsáveis por esses (longos, eu sei) dias sem novidades por aqui? Não, não foram. Melhor: não foram APENAS eles os responsáveis. Pois é, o ciclo mencionado acabou... e o hiato prosseguiu, contudo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Resenha: Black Sabbath - "13"

Ano de Lançamento: 2013

35 anos. Desde "Never Say Die!", de 1978, longos anos passaram-se desde a última participação de Ozzy Osbourne no Black Sabbath. As inúmeras reviravoltas do grupo britânico  incluindo novas abordagens e, claro, vocalistas    aconteceram de forma paralela ao voo solo de Osbourne após sua saída definitiva. Ao menos, agora, não mais definitiva    desconsiderando as reuniões ao vivo, claro.

Em 2011, finalmente uma das maiores lendas do rock britânico anuncia um regresso com sua formação original. Verdade seja dita: quase original; problemas de diversas naturezas afastariam o lendário baterista Bill Ward da nova e aguardada reunião. Um grande empecilho? Para muitos, sim. Mas não o suficiente para impedir o nascimento de um novo álbum, "13".

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Resenha: UFO - Phenomenon

Ano de Lançamento: 1974
Mudanças na sonoridade foram uma constante nas bandas da década de 70. Naqueles anos, a maioria dos grupos de rock pareciam inovar e, também, investir em novas fusões musicais. Com os ingleses do UFO, a coisa não fora muito diferente: seu vindouro terceiro álbum, 'Phenomenon', marcaria pela inserção (definitiva, diga-se de passagem) ao hard rock/heavy metal clássico – em oposição ao tom psicodélico de seus dois primeiros trabalhos: UFO, de 1970, e UFO 2 (1972).

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Entrevista - Vítor Rodrigues: apresentando o Voodoopriest

Mais de dez anos sob o comando dos microfones do Torture Squad.  O vocalista Vítor Rodrigues surpreendera ao abandonar, em 2012, seu cargo na icônica banda de thrash/death metal paulista. No entanto, surpreendera ainda mais ao anunciar, alguns meses depois, seu mais novo projeto: o Voodoopriest. 
Formado por músicos conhecidos na cena heavy metal e hardcore paulista, a banda tem como proposta principal a fusão de elementos clássicos do metal com as características mais extremas do gênero. Como resultado do primeiro encontro, a banda lança um EP homônimo cuja venda foi disponibilizada, principalmente, pela internet. 


segunda-feira, 25 de março de 2013

Resenha: Raimundos (22/03/13 - Clube Português, Recife)

No final daquela sexta-feira, às 21h30, uma boa quantidade de fãs esperavam, com ansiedade, a abertura dos portões  os antigos portões que marcaram tantos shows no Clube Português do Recife. Eles seriam abertos, dessa vez, para receber um público ansioso pela apresentação de uma das mais icônicas bandas do rock nacional, o Raimundos.

Com significativo sucesso nos anos 90, o grupo de hardcore brasiliense passa, talvez, a sua melhor fase desde a saída do cantor Rodolfo Abrantes, em 2001.  O guitarrista Digão vem consolidando, de uma vez por todas, seu trabalho à frente dos microfones e o mais recente registro da banda  o DVD Roda Viva, de 2010 – , para muitos, provou isso. Sim, a divulgação do trabalho é a chamariz desta nova turnê do Raimundos que, aliás, regressa a capital pernambucana após dois anos. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Resenha: Heathen - Victims of Deception

Ano de Lançamento: 1991

Em 1991 o poderio das bandas da Bay Area – região de São Francisco, Estados Unidos – já havia sido confirmado. Muitos daqueles grupos que praticavam uma forma ainda mais agressiva do heavy metal tradicional – o thrash metal – ganharam notoriedade e, mesmo com direcionamento similar, desenvolveram caminhos distintos na música.

No caso do Heathen, desde 'Breaking the Silence', de 1987, os principais atributos da banda já ficaram em evidência. Ou seja, um som baseado em um thrash metal mais técnico e, principalmente, carregado de influências do metal tradicional; David Godfrey-White se diferenciava por suas linhas vocais mais melódicas e menos agressivas  quando comparadas com outras bandas de thrash, claro.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Resenha: Cangaço - Rastros

Ano de Lançamento: 2013

Rastros. Com esta palavra, os pernambucanos do Cangaço batizaram seu vindouro álbum de estreia. Estreia esta que traz consigo um grande lote de expectativas: afinal, o grupo conseguiria mostrar evolução – se comparado com as demos e o EP "Positivo" (2011)  e, também, coesão em sua ousada proposta?

Ao iniciar o disco, a breve introdução instrumental "Atrito" desenvolve-se em sua atmosfera 'hermeto-pascoaliana' – principalmente pela inserção de flautas feitas pelo músico convidado Rico Albino – com melodias  e abordagem rítmica tipicamente nordestinas. De forma ininterrupta, a calmaria é logo interrompida pela agressividade de "Cantar às Excelências das Armas Brancas".

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Resenha: Badlands - Badlands

Ano de Lançamento: 1989

Nos anos 80, o rock n' roll viveu um de seus maiores ápices comerciais. O resultado? Inúmeros álbuns de hard rock e heavy metal viram a luz do dia. 

Mesmo tendo contribuído com dois registros clássico desta década – os discos "Bark at The Moon" (1983) e "The Ultimate Sin" (1986), com Ozzy Osbourne – , o guitarrista norte-americano Jake E. Lee ainda reservara, no ano de 1989, uma de suas maiores surpresas, o supergrupo Badlands.

A proposta da banda era simples: unir o hard rock oitentista com elementos do blues  tão presente no rock n' roll dos anos 70, aliás. Para esse objetivo, Jake E. Lee não teria opção melhor que o incrível vocalista Ray Gillen. 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Entrevista - André Lyra: oficializando a volta do Chaosphere


2011 - No mês de dezembro, escrevi um texto sobre uma das bandas mais significativas do heavy metal pernambucano, o Chaosphere. Naquela época, o texto visava divulgar o legado de um grupo que, no seu tempo, injetou ânimo a cena recifense criando um material promissor – como, por exemplo, o excelente "Hell is Here", de 2007. No entanto, nunca esperei ou sequer cogitei um retorno da banda. Ainda bem que eu estava enganado.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Entrevista - Alexandre de Orio: ultrapassando os limites da música pesada


Com ampla formação musical e experiência na estrada, o paulista Alexandre de Orio é um daqueles poucos guitarristas que já podem se gabar de seu feitos; afinal, não é qualquer um que mantém projetos tão distintos entre si. 

Em sua carreira, o músico passa do thrash/death metal do Claustrofobia, ao experimentalismo fusion do Quarteto Kroma, a inserção no mercado acadêmico com o livro 'Metal Brasileiro' e, mais recentemente, o projeto Alexandre de Orio e Bateria S/A. Ou seja, haja assunto para uma, duas ou três entrevistas! Conversei com o músico enfatizando sua carreira como guitarrista do Claustrofobia – que acaba de lançar a primeira edição de seu festival próprio, em São Paulo – e, também, seu livro recém lançado. 

sábado, 3 de novembro de 2012

Apresentando: Arandu Arakuaa [ + download]

Metal cantado em Tupi Antigo e com influências de música tribal brasileira?! Inicialmente, a proposta pode parecer ousada, confusa e, até mesmo, impensável. No entanto, o grupo brasiliense Arandu Arakuaa em tupi, saber dos ciclos dos céus ou sabedoria dos cosmos aposta nesse formato desde sua criação, em 2008. Mas, foi neste ano que a banda realmente estabilizou-se e, com isso, segue tanto colhendo bons frutos na mídia especializada quanto surpreendendo quem, inicialmente, não acreditava na sua ousada proposta.

domingo, 21 de outubro de 2012

Resenha: Wintesun - Time I

Ano de Lançamento: 2012
Desde que o lançamento do novo trabalho da banda finlandesa Wintersun fora anunciado, em 2006, já se passaram seis anos. Seis longos anos. Um período enorme para um projeto que foi bastante bem recebido já em seu primeiro disco, em 2004, e que, ainda na estreia, já ameaçava, crescer tornando algo além de um trabalho solo do seu líder, o músico Jari Mäenpää (ex- Ensiferum).

Mesmo com a demora para lançar um segundo álbum,  o Wintersun conseguiu agregar uma boa base de fãs que, pacientemente, esperou o pretensioso segundo as intenções de Mäenpää novo disco. No entanto, apesar da banda agora possuir membros fixos, na prática o Wintersun segue como um projeto solo de seu vocalista, guitarrista, tecladista, arranjador e compositor – sim, além de membro fundador, ele é responsável por todas essas funções (!). 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Resenha: One Arm Away - Destiny (EP)

Ano de Lançamento: 2012

Já se passaram quatro anos desde que o músico pernambucano Antonio Araújo assumira, no lugar de Silvio Golfetti, uma das guitarras da banda paulistana de thrash metal Korzus. Paralelamente ao trabalho do grupo paulista, Araújo apresenta, em 'Destiny', três composições autorais de seu novo projeto, "One Arm Away".

É verdade que, atualmente, o músico mais seja lembrado e associado a sua função como guitarrista. No entanto, quem conheceu sua antiga banda a recifense ChaoSphere sabe que ele pode, também, cantar. Aliás, seus vocais mais voltadas ao metal tradicional, digamos sempre foram apontadas como um diferencial no trabalho do ChaoSphere.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Resenha: Down - Down IV Part I – The Purple (EP)

Ano de Lançamento: 2012

Com a diminuição de poderio da indústria fonográfica, diversos grupos vem inovando na distribuição dos seus materiais. Em "The Purple EP", os norte americanos do Down exibem o primeiro dos quatro EPs que, somados, irão compor o que seria o quarto disco do grupo, "Down IV", numa 'nova' estratégia de lançamento.

Desde 1995, o som da banda, capitaneada pelo icônico vocalista Phil Anselmo (ex-Pantera, Superjoint Ritual), evoca influências carregadíssimas de Black Sabbath aliados a uma pegada específica de heavy metal que soa ora sludge, ora stoner. E, como cereja no topo do bolo, um acentuado sotaque sulista. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Resenha: Judas Priest - Screaming for Vengeance

Ano de Lançamento: 1982 ( 2012, edição de 30ª aniversário)

Há 30 anos, o clássico grupo britânico de heavy metal Judas Priest lançava seu oitavo álbum, o aclamado e não menos clássico, convenhamos "Screaming for Vengeance".

Com nove faixas autorais apenas "(Take These) Chains", de Bob Holligan, é uma releitura , o registro marcara tanto pela qualidade e diversificação quanto pelo fato de seguir, até hoje, como o maior sucesso comercial dos ingleses. 

Tamanha é a importância desse trabalho que, para comemorar o seu trigésimo aniversário, foi lançada uma versão de luxo com faixas extras e um DVD bônus.  Mas, levando em conta a extensa discografia do Judas Priest, o quê tornou este disco tão bem quisto e sucedido, até agora, no catálogo da banda?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Resenha: Loudness - 2・0・1・2

Ano de Lançamento: 2012

Em seus mais de 30 anos de história, o Loudness se consolidou como um dos principais expoentes e pioneiros do heavy metal nipônico.  

E sim, mesmo com os principais integrantes passando da casa dos 40 anos, o Loudness segue como uma das bandas mais relevantes do Japão. Discos expressivos dentro da realidade do cenário, claro como "Thunder in the East", de 1985, garantiram tanto a longevidade da banda quanto uma exposição e alcance para além do oriente.

Na extensa discografia do grupo, a formação estável sempre foi um chamariz aos curiosos e motivo de orgulho para os fãs. Entretanto, a saída do vocalista Minoru Niihara, no final dos anos 80, configurara a primeira mudança de formação dos japoneses em vários anos, foi a única, na verdade. Para felicidade de seus apreciadores, Niihara regressaria ao seu posto e, por alguns anos, a banda manteria sua formação original; mas, infelizmente, Munetaka Higuchi (baterista) viria a falecer, em 2008, vítima de um câncer de fígado.